terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Aprecie a Estação



O final de ano pode ser uma época muito difícil para quem está de luto. 


É complicado encontrar a 'medida' certa entre a alegria que sentimos ao estar junto de quem amamos e a saudade daqueles que partiram. Digo isso porque é exatamente assim que me sinto e aqui contei um pouquinho sobre isso... 

Sei que não estou sozinha e que muitos se sentem assim... então, vou deixar aqui a tradução que fiz de um artigo escrito por Henderson Lafond para a Still Standing Magazine, falando sobre Natal e as festas de fim de ano. 

Espero que o texto te ajude.

Se você tem alguém que está sofrendo com o luto nesta época, exercite a empatia. Não cobre a ‘felicidade’ desta pessoa num momento tão delicado. Respeite seus sentimentos e esteja sempre por perto.

Se for você quem está sofrendo com o luto, deixo o mesmo conselho. Respeite seus sentimentos e não cobre de si mesmo o impossível. Ria quando sentir vontade. Chore quando sentir que seu coração irá explodir. Cuide de si mesmo e não se importe com aparências.

A dor não vai durar para sempre e faz parte do processo de cura o respeito aos seus sentimentos. Fingir que o sofrimento não existe pode ser pior.

Certifique-se de que você tem o apoio necessário, família e amigos que realmente compreendam o que está passando são essenciais. E se você é um membro da família ou um amigo, não se preocupe com o que dizer – apenas esteja  presente.


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Aprecie a Estação

16 de novembro de 2016, por Henderson Lafond

Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: contato@robertamodulo.com.br


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E num piscar de olhos, nós estamos indo em direção a ‘mais maravilhosa época do ano’. Quando você já passou pela perda de um filho, os dias comuns não são mais os mesmos, muito menos as festas de fim de ano. A maior diferença está na pressão.

De repente, espera-se que vejamos família e amigos. Temos que vestir nosso sorriso, roupas bonitas e estar cheios de alegria natalina. Devemos espalhar amor e luz e doar um pouco de nós mesmos.

É a época do ano que estamos em contato com pessoas que normalmente não falamos ou não encontramos com frequência. Pessoas que talvez não saibam ou não vemos ‘desde então’. Temos que contar a história novamente, lidar com olhares de pena e responder às tentativas desorientadas de nos consolar e demonstrar empatia.

Ano passado foi meu primeiro período de festas após a perda de Madison e dizer que foi ‘difícil’ não começa nem a descrever como foi. O nascimento dela estava previsto para o período de Ação de Graças e como sou extremamente organizada, já havia planejado muitas coisas. Ela teria pijamas combinando, um enfeite com o nome dela e sua data de nascimento. Eu tinha um álbum no Pinterest dedicado a ideias para nosso cartão de natal.

E de repente tudo era diferente. Minha época do ano favorita tornou-se um pântano lamacento o qual tive que me arrastar rezando para que Janeiro chegasse logo.

Toda canção natalina me fazia chorar. Todas as luzes e decorações que eu geralmente mal podia esperar para ver, fizeram com que eu sentisse nada.  Eu não podia acreditar que alguém faria uma festa de natal, muito menos que nos convidaria para ir. O que exatamente estávamos comemorando? Eu estava cheia de ressentimento, pois minha filha não estava aqui e não conseguia enxergar além desse sentimento. 

Porque tínhamos um filho de três anos para nos preocupar, nós cumprimos com a formalidade. Compramos uma árvore, embrulhamos presentes, escondemos o duende (quase) todas as noites para que nosso filho o encontrasse na manhã seguinte. Acho que se dependesse da gente, meu marido e eu teríamos fugido para uma ilha ou teríamos ficado encolhidos dentro de casa até que as festas tivessem terminado. 

Todos nós chegamos ao período natalino em diferentes fases e estágios desta montanha russa da vida após a perda. Este ano será diferente do ano passado para mim e minha família, pois este é nosso segundo ano sem Madison. Não sei o que esperar, pois ainda não passei por isso e tudo bem. 

Seja este o seu primeiro ou o trigésimo primeiro, aprecie esta estação e seu luto independente de onde ele te levar. 

Esteja aberto aos seus sentimentos. 

Cuide de você mesmo. 

Faça o que te deixe confortável, nem mais, nem menos. 

Agarre-se à dor e à alegria da maneira que aparecem. 

Aprecie esta época independente do que ela te traga.




*Sobre Henderson Lafond

Henderson Lafond é esposa, sonhadora e mãe de três filhos de Mint Hill, Carolina do Norte. Seu segundo filho, uma menina chamada Madison Reid, nasceu sem vida em 17 de outubro de 2015. Através de seu luto, Henderson descobriu uma paixão em ajudar suas irmãs na perda e fundou Madison’s Closet (O armário de Madison) em 2 de abril de 2016. Sua missão é confortar e vestir mães que sofreram com a morte perinatal ao fornecer roupas doadas para ajudá-las a recuperar sua autoconfiança. Quando você tem algo bonito para usar, você se sente melhor. 

As mulheres que doam para Madison’s Closet fazem isso pensando nas mulheres que irão ajudar. Elas querem ajudar numa situação em que ficamos impotentes. Por favor, visite Madison’s Closet para saber mais sobre sua missão e também receber ou doar roupas. Henderson pode ser encontrada no Facebook, Twitter, Instagram ou The Huffington Post.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Mais um Natal


Nossa última selfie juntos

Natal e Ano Novo se aproximam. Uma época mágica, recheada de amor, gratidão pelo ano que passou e planos para o ano que inicia.

Dezembro também é o mês em que o vazio que existe em meu coração se intensifica, mas nem sempre foi assim.

Eu costumava amar este período do ano – comprar presentes, decorar a casa, montar a árvore (temos enfeites que nos acompanham desde o nosso primeiro Natal morando juntos... e lá se vão 14 deles!) ir para a cozinha fazer mil pratos diferentes, colocar um vestido fofo para comemorar, mesmo que estivéssemos apenas o Rika e eu em casa.

Pelo terceiro Natal consecutivo eu não sei o que é isso... para falar a verdade, nem sei por onde anda nossa árvore de Natal... é certo que está guardada em algum canto, pois mantenho a esperança de montá-la novamente um dia - este ano ainda não...

Noah partiu no dia 19 de dezembro, pertinho do Natal e para falar a verdade, o primeiro natal após a morte dele eu não senti muita coisa. Eu estava desnorteada, os antidepressivos não me deixavam sentir nada. Absolutamente nada.

Naquela época eu alugava a casa de uma amiga (quase irmã), um lugar incrível com espaço, muito verde, piscina e uma vista de tirar o fôlego. Mas dentro de mim, havia um vazio.

2014 foi um ano difícil e dezembro intensificou a dor, pois ‘celebrar’ um ano em que perdemos tanto parecia inútil. Pela primeira vez teríamos um Natal sem meu filho e minha sogrinha...

Lembro que não tinha vontade de fazer absolutamente nada e foi então que meu pai apareceu para ficar com a gente. Ele também não queria festa, mas assim como nós, ele queria ficar pertinho. Não teve ceia, não teve árvore, mas teve amor. Muito amor.

Na virada de ano, papai veio novamente e no dia seguinte, meu sogro também estava conosco. Emocionados, assistimos a queima de fogos, nos abraçamos à meia noite e no primeiro dia do ano aproveitamos o calor para fazer um churrasco vegano delicioso... ficamos juntos e ganhamos um presente lindo – a presença dos vovôs do Noah - os mais amados do mundo!

* Meu sogro Eduardo se refrescando na piscina,
* Papai imóvel para garantir o soninho do Brutus,
* Minha 'pancinha' pós Noah, ❤
* Nosso churrasco vegano.

Ano passado, já não estava tomando remédios e pude sentir a força da ‘pancada’ que esta época do ano me daria - então tivemos reforços! Pela primeira vez, em MUITOS anos, tivemos um Natal e Ano Novo com a família ‘completa’. Também não houve árvore, mas teve cerveja, pizza pronta como ‘ceia’ e estávamos todos juntos – mamãe, papai, sogro, irmãos, sobrinhos...

Teve muita confusão, casa cheia, bagunça e gratidão. Gratidão pela oportunidade de ter a família por perto, incrível como a dor nos une ainda mais, garantindo o amparo nos momentos difíceis.

Família reunida! 

Este ano o Natal será vazio novamente... papai está pertinho do Noah agora -  ele não vai mais chegar de surpresa, acelerando a moto e fazendo escândalo com a sirene na porta de casa.

Nunca poderia imaginar que aquele seria nosso último Natal juntos e sou grata por ter tido a oportunidade de passar o último Natal, Ano Novo, Carnaval e aniversário unidos como uma família de verdade.

Este ano teremos mais um Natal incompleto, mas com a certeza de que não haverá cobranças e sim bastante apoio, amor e carinho de nossa família.

Tenho fé que esta dor insuportável vai passar e um dia teremos uma árvore de natal em casa novamente. Mas enquanto este dia não chega, respeitarei meus sentimentos e serei grata por tudo o que tenho: uma linda família, um marido incrível e amigos que insistem em permanecer ao meu lado.


Se você precisa de ajuda para encarar este Natal ou então para ajudar alguém de luto neste período de festas, dê uma olhada nesse link aqui.





sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Wave of light

Juntos nós lembramos.
Dia 15 de Outubro às 19.00h. Acenda uma vela em memória de seu filho falecido e junte-se à 'Wave of Light' ao redor do mundo.


Ano passado, aprendi que em outubro homenageamos os pequeninos que partiram muito cedo, sendo este o Mês de Conscientização da Perda Gestacional e Infantil (Pregnancy and Infant Loss Awareness Month). Inclusive, publiquei a tradução de um artigo aqui no blog, falando sobre o Outubro Azul e Rosa que você pode ler aqui

Embora a data seja reconhecida em outros países, aqui no Brasil não temos nada parecido, mas para pais que perderam seus filhos, todo motivo para falar e lembrar-se deles, é uma causa nobre.

Todo dia 15 de outubro às 19:00 (horário local), pessoas no mundo todo acendem uma vela em homenagem às crianças que partiram, criando assim uma linda ‘onda de luz’ iluminando o planeta. 

No último ano, fizemos parte desta corrente pela primeira vez. 

Embora nossa participação tenha sido tímida, nos unimos a este lindo gesto de amor em memória de nossos filhos, de quem sentimos tanta saudade.


É claro que este ano acenderemos novamente uma vela em memória do Noah e de todos os anjinhos que se foram e estendo este convite a todos vocês: dia 15 de outubro às 19.00hs deixe uma vela acesa por uma hora e nos ajude a iluminar esta causa. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Lembre-se deles




Após a morte de um filho o maior medo de um pai é o esquecimento, em especial quando seu filho parte tão pequenino que nem teve tempo para deixar grandes marcas no mundo. 

Quando o Noah morreu, ele tinha apenas 20 dias de vida. 

Não tenho fotos de sua carinha, nem roupas com seu cheiro... Mas lembro perfeitamente dos contornos de seu corpo, o calor da sua pele lisinha e seus trejeitos de menino peralta dando ‘cambalhotas’ na incubadora ao ouvir a minha voz. 

Sou mãe e posso afirmar que ele está presente em todos os meus dias, mesmo que eu não possa mais desfrutar da sua deliciosa presença física há quase dois anos, eu sinto meu filhote perto de mim o tempo todo. Seja na borboleta que insiste em pousar ao meu lado, seja na roupinha de menino sapeca exposta na vitrine de uma loja infantil... eu sempre converso com ele, lembro do que vivemos juntos, choro, sorrio e crio memórias novas imaginando como ele teria sido... é um dos papos mais gostosos que tenho com o paizinho dele... podemos ficar horas imaginando...

Mas para o mundo eu sei que não é assim e temo que meu bebê seja esquecido, que sua memória seja apagada pela rotina. Por isso, continuo a falar dele, a lembrar dele e a contar a todos sobre sua existência. 

Sua passagem por este mundo foi breve, mas deixou marcas expressivas e grandiosas em minha vida, ele merece ser lembrado!


Se você tem uma mãe ou um pai enlutado em sua vida e não sabe o que fazer para ajudar, deixo mais uma preciosa dica: lembre-se de nossos filhos. Fale deles. Não tenha medo, pois este é o presente mais precioso que você pode nos dar. 

Abaixo a tradução de um texto da Emily Long, bem curtinho, mas cheio de amor, que descreve tão bem este pedido de uma mãe enlutada.


Lembre-se deles

12 de agosto de 2016 por Emily Long*


Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: contato@robertamodulo.com.br


Recentemente alguém me perguntou se havia alguma coisa, algo unicamente importante, que eu gostaria de pedir às pessoas em relação à morte e o luto por minhas filhas.

Fiquei surpresa em ver como minha resposta veio fácil – há muitas coisas importantes que eu poderia ter dito, mas esta rapidamente surgiu como a mais importante:

Lembre-se delas.

Lembre-se de seus nomes.

Lembre-se que elas viveram.

Lembre-se que sou sua mãe.

Lembre-se que elas foram e são amadas.

Lembre-se delas.                               

Para mim, além da ausência delas, minha maior dor é o medo que elas sejam esquecidas. Perdidas entre o tempo e espaço. Pois há tão pouca prova física de que elas estiveram aqui, até a memória delas desaparecerá para todos, exceto para mim.

Então, por favor, lembre-se delas.

Não apenas quando o sofrimento é recente e novo. Lembre-se delas mesmo que anos e décadas tenham se passado e elas ainda assim, terão partido.

Lembre-se que elas viveram.

Lembre-se que eu as carreguei.

Lembre-se que eu sou sua mãe – naquele momento, agora, sempre. Mesmo quando eu tiver 90 anos e me preparando para deixar esta Terra, elas ainda serão minhas e eu serei delas.

Lembre-se que elas foram e são e serão para sempre amadas.

Lembre-se delas.

Para sempre.

* Sobre Emily Long
Emily é mãe de duas filhas que partiram muito cedo.  Na faculdade, ela vivenciou a morte de seu noivo. Alguns meses depois, sua filha, Grace, nasceu sem vida. Depois de muito anos, Emily finalmente procurou apoio e criou uma comunidade que a ajudou a encontrar beleza na vida novamente, após suas perdas. Quando sofreu o aborto de sua segunda filha, Lily, fornecer apoio para outros pais em luto tornou-se uma paixão e uma missão. Emily é psicoterapeuta de apoio ao sofrimento e defensora das famílias que sofrem a perda de seus filhos. Ela tem interesse em trabalhar com mães sem filhos vivos e é autora do livro “Invisible Mothers” (Mães Invisíveis).
Emily acrescenta ao seu trabalho com famílias em sofrimento, o equilíbrio entre experiência pessoal e profissional. Além de promover apoio individual às mães e pais em luto, Emily se esforça para instruir e melhorar o cuidado às mães em luto por profissionais da saúde e outros psicoterapeutas. Ela escreve e instrui através de seu website http://emilyrlong.com.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O Amor




Há mais de um ano e meio convivo com a presença diária da saudade.

Em certos dias, sinto muito mais a falta do Noah. Em outros dias, a saudade é tanta que paralisa meu corpo. São nesses dias que minha alma se afunda nas lágrimas e só encontro forças quando me apego ao maior legado que meu filho deixou: o amor.

Não há nada nesse mundo que anule esse amor, nem a tristeza nem a morte irão triunfar diante de um amor tão puro e profundo.

São nesses dias incrivelmente difíceis que eu me agarro a este amor, este laço perpétuo que existe entre meu filho e eu. Só assim é possível seguir em frente.

Foi em um dia desses, no começo de maio, que me deparei com um lindo vídeo no Facebook. Uma das muitas páginas que sigo e falam sobre luto, saudade e a perda de um filho postou este vídeo como parte de um projeto maravilhoso chamado The Bereaved Mother’s Love Project (Projeto O Amor da Mãe em Luto).

Imagens expressando a forma mais pura do amor e palavras que tocaram a minha alma me motivaram a entrar em contato com a autora, Jessica Snapp, mais uma mãe de anjo que busca espalhar o amor pelo mundo, enquanto ajuda a remendar corações partidos.

Essa jornada tem me ensinado muito e tenho sido muito agraciada pela amizade, mesmo que virtual, de pessoas em várias partes do mundo. É como se fizéssemos parte de uma irmandade, de um grupo que não fazemos questão de fazer parte, mas aqui estamos.

Jessi permitiu que eu traduzisse suas palavras, que estão estampadas na Still Standing Magazine desde 2015.

Uma linda surpresa, palavras que descrevem com tamanha exatidão o que passa dentro de meu coração confuso...

Tenho certeza de que há um laço invisível de amor que nos une e que, de alguma maneira, nossos anjos estão juntos em suas nuvens, olhando por nós e nos aproximando propositalmente.


* Conheça o lindo trabalho da Jessi: http://luminouslightstudio.com/

* Assista o vídeo clicando aqui 


O Amor de Uma Mãe Enlutada

12 de Outubro de 2015 por Jessi Snapp*

Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: contato@robertamodulo.com.br


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Existe um amor tão puro, tão terno, tão forte.
Um amor que transcende a vida e transborda dentro e fora de outros reinos.
É mais alto do que as estrelas que preenchem os céus iluminados pela lua.
Maior do que a própria Terra.
Mais profundo que os locais proibidos do oceano.
Um amor que irradia mais brilho do que o sol e que suga tão impiedosamente quanto um buraco negro.
Um amor intransponível, em todos os aspectos.
É um amor que transcende o tempo e é completamente infindável.
É livre.


Existe um amor tão sagrado, tão querido e verdadeiro.
Um amor que é incompreensível para o mundo ao seu redor.
Um amor que pode existir onde as pessoas acreditam que não existiria.
Um amor tão perfeitamente enraizado nas profundezas de seu coração, de sua alma.
Um amor que faz com que o resto do mundo pareça frio e cinza porque a sua beleza e profundidade é incomparável.
E ao mesmo tempo, derrama uma beleza na terra nunca vista antes.


Nada se compara a esse amor.


Este amor – sim, ele existe.
Ele existe e nós vivemos para contar a história de como ele possa existir ainda que não possamos enxergá-lo.
Com pouca evidência tangível remanescente, ele ainda sobrevive.
Ainda mais – ele prospera.
Ele cresce.
Mais e mais a cada dia este amor floresce e se alastra como flores silvestres durante a primavera em um campo intocado.
Os rios deste amor nunca secam e as rajadas de seu vento nunca cessam.


A profundeza e a intensidade deste amor são do tipo que você só ouviu falar em contos de fadas e histórias de ‘viveram felizes para sempre’ – ainda que esteja presente em algo muito distante disso.
Este amor reside na incerteza e instabilidade.
Permanece em lágrimas silenciosas e braços dolorosamente vazios. 
É a luz no local mais isolado.
Ele vive para contar o conto do que foi e não é mais.
Este amor repousa nos irreparáveis pedaços de nossas almas e nas feridas abertas de nossos corações despedaçados.
Ele se equilibra elegantemente com alegria nos lugares mais escuros de desolação e desespero.
Mas ainda na escuridão, ele continua a crescer e se alegrar.


Ele é beleza e caos libertos em um mesmo fôlego.


Este amor – este amor imutável, inabalável, indestrutível – é o amor de um coração partido.
Este amor pertence a uma mãe enlutada.
Pois mesmo na morte, ela ama infinitamente.
Ainda que na escuridão, seu amor é cintilante.
Nem a morte poderia extinguir este amor, pois é um amor como nenhum outro.
Sem comparações e sem precedentes – é verdadeiramente único.


O lindo amor entre mãe e filho – colocado em teste e esticado muito além do ponto de ruptura.
Ainda assim permanece intocado – apenas cresce mais forte a cada esticada.
O mundo aguarda de braços cruzados o rompimento deste laço.
Para que a mãe enlutada o deixe partir – e desista.
Mal sabem eles que irão esperar por uma eternidade.


O amor de uma mãe enlutada é extremamente forte.
Uma força tão poderosa que nada fica em seu caminho.
Nem o tempo nem a morte podem mudar.
Nem a tristeza nem a dor podem quebrá-lo.


Este amor – é o nosso amor.
Ele sobrevive quando eles não sobreviveram.
É o amor que ocupa o espaço em nossos corações e em nossas vidas onde eles estiveram.
Este amor reserva um espaço sagrado para eles.
Só existe porque eles viveram.
Permanece ainda que eles tenham partido.
Não é teoria nem ficção – é uma verdade inacreditável, poderosa.


O amor de uma mãe enlutada é inacreditável, feroz, interminável, que desafia todas as probabilidades.


Este amor se enraizou em cada célula de meu corpo e pulsa em minhas veias com propósito e significado.
Este amor limpou minha alma.
Mudou meu ser.
Este amor ilumina o peso da perda.
Pois este amor torna a dor mais suportável.
Faz até com que, talvez, valha a pena.


A morte não me define – é a vida e este amor que me definem.
É este amor que mudou o curso da minha vida e me separou do resto do mundo.
Este amor – é o meu amor.
E por toda a minha vida - eu jamais o deixarei partir.
É a única coisa que ata minha alma despedaçada.
Este amor – é o que me faz seguir em frente.
É o eco que ressoa em tudo o que eu faço.
E em tudo o que eu sou.


Não importa a distancia, não importa o tempo – este amor prevalece.


E é meu.

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* Conheça o lindo trabalho da Jessi: http://luminouslightstudio.com/

* Assista o vídeo clicando aqui 


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Empatia e Pena





Este vídeo foi sugerido pela Franchesca Cox em seu artigo sobre o Segredo da Empatia que você pode ler a tradução que fiz aqui.

Muito fofo e didático, uma maneira simples de compreender o real significado de empatia e como esta qualidade se diferencia da pena.

Um texto que nos ajuda a refletir sobre a forma que lidamos com os outros e suas dores. 

O desenho tem como narração trechos de uma palestra da Dra Brené Brown e abaixo, minha tradução para facilitar a compreensão de todos.




Qual a diferença entre empatia e pena?

Empatia abastece a conexão, a pena leva à desconexão.  

Empatia é muito interessante. Teresa Wiseman é uma acadêmica de enfermagem que estudou diversas profissões onde a empatia é relevante e então chegou a quatro qualidades da empatia: compreensão da perspectiva (a habilidade de compreender o ponto de vista de outra pessoa ou reconhecer a perspectiva dela como verdadeira), não julgar (não é fácil quando  a maioria de nós gostamos de fazê-lo), reconhecer emoções em outras pessoas e então comunicar essas emoções.

Empatia é sentir com as pessoas.

E para mim, eu sempre acho que empatia é este espaço sagrado, quando alguém está em um buraco profundo e grita lá do fundo dizendo:

“Estou preso. Está escuro. Estou arrasado.”

E então, nós olhamos, descemos até lá e dizemos: “Ei, eu sei como são as coisas aqui em baixo e você não está sozinho.”

Sentir pena é “Oh, que chato, heim? Hmm, você quer um sanduíche?”

Empatia é uma escolha e uma escolha vulnerável porque para se conectar com você eu tenho que me conectar com algo dentro de mim que me mostre este sentimento.

Raramente, talvez nunca, uma resposta empática começa com “pelo menos”. E fazemos isso o tempo todo, porque alguém acabou de compartilhar algo conosco que é incrivelmente doloroso e tentamos colorir isso, procurando um lado bom no problema alheio.

“Sofri um aborto.”
“Pelo menos você sabe que pode engravidar.” 

“Acho que meu casamento está desmoronando.”
“Pelo menos você tem um casamento.”

“John está sendo expulso da escola.”
“Pelo menos Sarah é uma aluna excelente.”

Mas algo que quase sempre fazemos ao enfrentar uma conversa difícil é tentar transformá-la em algo melhor. Se eu divido com você algo que é muito difícil, eu prefiro que você diga “Eu nem sei o que te dizer, apenas estou grato por você ter me contado.”

Porque a verdade é que raramente uma resposta pode fazer com que algo melhore.

O que faz as coisas melhorarem é a conexão.


O Segredo da Empatia







Esta semana, após um trágico acidente de ônibus na serra entre Mogi e Bertioga, muitas vidas jovens foram perdidas... nossa cidade vizinha está em luto pelas dezenas de vidas que deixam sonhos, projetos e famílias incompletas.

Ao receber esta notícia, eu chorei. 

Chorei porque conheço a dor da perda tão intimamente e assim, me coloco na situação destes pais e mães, que hoje choram a partida tão precoce de seus amados filhos. 

Divido com eles minhas lágrimas e meu mais profundo pesar, mesmo sem conhecê-los pessoalmente. 

O nome deste sentimento é empatia.  A habilidade de colocar-se no lugar do outro. Habilidade que venho aprimorando após a morte do meu pequeno Noah.

O texto que posto hoje é uma tradução de um artigo da querida Franchesca Cox. Um texto destinado a todas as pessoas que buscam ajudar alguém em luto, mas não sabem como.

Como ela mesma diz, não é um texto sobre o que você pode DIZER a um pai em luto. É um texto sobre o que você pode FAZER.

Se você tem uma pessoa por perto que está de luto por alguém querido, espero de todo o meu coração que este texto aqueça o seu coração e que você dê o primeiro passo em direção à empatia. 

Ao confortar uma pessoa amada, que esteja de luto, lembre-se: não precisamos de seus conselhos. Precisamos de seu carinho.


O Segredo da Empatia

5 de Maio de 2016 por Franchesca Cox*

Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: contato@robertamodulo.com.br

Este texto é para os amigos. Os colegas de trabalho. Os que amam. A família.

Este texto é para você. 

Prometo que não é um artigo sobre as “10 coisas que você nunca deve fazer ou dizer”. Não irei te atacar. Ao contrário, te convidarei a pensar sobre o poder de uma arma secreta chamada empatia. O único presente verdadeiro que você pode dar a uma mãe em luto. 

Você que tem uma mãe enlutada em sua vida, já esgotou seu arsenal de frases e não tem ideia de como ajudar. Ou talvez você tenha mantido distância porque não sabe o que fazer ou dizer. Mas no fundo o que você deseja mais que tudo, é fazê-la sentir-se melhor.

Talvez você esteja indo bem, mas se você é como a maior parte do mundo civilizado, sentiria-se melhor usando suas ‘roupas de baixo’ em público do que ao lado de alguém que está sofrendo muito com o luto. Todos nós tememos o desconhecido e, para a maioria de nós, isso inclui perder alguém muito importante, alguém que seria impossível imaginar viver sem. 

Tudo bem que você se sinta um pouco perdido ao ajudar esta mãe. Mas antes que você sugira que ela deva fazer terapia – não porque você está cansado de ouvi-la falando sobre isso, mas porque você acha que falar com você não está ajudando – considere que ela esteja falando com você por um motivo. E para registrar, eu sou a favor da terapia. Fiz por um tempo, e valeu a pena… mas este não é o objetivo deste artigo.
  
E para sua surpresa, se ela está falando com você, ela está exatamente onde ela gostaria de estar, e provavelmente onde precisava estar.

Ela escolheu você.

Ela precisa de você.

Ela não precisa que alguém a conserte, porque palavras, presentes, tempo ou dinheiro não podem consertar o que aconteceu.

Se ela está falando com você, é por uma razão muito, muito boa. Ela confia em você.

E mesmo que não pareça que ela esteja conseguindo ajuda ao conversar, ela está. Ela pode falar o nome de seus filhos e esta é a coisa mais preciosa que você pode dar a ela neste momento. A liberdade, a fantástica desculpa para dizer o nome dele ou dela. 

De novo. E de novo. E de novo.

Ela precisa de alguém neste planeta que nunca vai se cansar de ouvi-la falar sobre seu bebê, seu filho, o filho adulto que ela jamais imaginaria viver sem. É uma ordem não natural das coisas, e ela vai passar o resto de sua vida tentando encontrar o chão sob seus pés.

O segredo da empatia é sentir como se não tivesse feito nada e ainda assim você se sente exausto – significa que você fez a coisa certa. 

Empatia tem um preço. Vai te chacoalhar e te tirar da sua zona de conforto e te colocar no lugar dela. Será necessário ir além de apenas imaginar a vida dela, sua dor, sua perda e a grandeza de tudo isso. Você irá carregar todos esses sentimentos como um casaco pesado e ensopado. Vai te levar à beira das lágrimas. 

E é aí que você vai querer parar. 

Mas a empatia vai além dos limites da compaixão e da pena.

A empatia fará você sentir como se não tivesse feito nada além de permitir que ela continue mergulhada na tristeza.

A empatia vai desligar a sua vontade de consertar seu mundo quebrado e fará com que você se sente sobre os escombros junto dela. (assista o vídeo)

Empatia é invisível aos que passam, mas para uma mãe em luto é a única coisa que coloca um pouco de cor em seu mundo novamente.

O poder da empatia dará a ela a liberdade de amar um filho que ela mal conheceu.

O poder da empatia é profundo. 

Você sente como se não tivesse feito nada, pois fisicamente você fez muito pouco, apenas segurou a sua mão, sentou-se silenciosamente e ouviu. 

Mas na verdade, você moveu montanhas.

"Aprendi que as pessoas se esquecem do que você diz e se esquecem do que você fez, mas as pessoas jamais irão esquecer o que você as fez sentir."

Maya Angelou


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Sobre Franchesca Cox*
Ela escreve, ela pinta, ela se esforça para escolher o AMOR a todo momento. Junte-se ao seu heArtwork no Instagram e Facebook.