terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Aprecie a Estação



O final de ano pode ser uma época muito difícil para quem está de luto. 


É complicado encontrar a 'medida' certa entre a alegria que sentimos ao estar junto de quem amamos e a saudade daqueles que partiram. Digo isso porque é exatamente assim que me sinto e aqui contei um pouquinho sobre isso... 

Sei que não estou sozinha e que muitos se sentem assim... então, vou deixar aqui a tradução que fiz de um artigo escrito por Henderson Lafond para a Still Standing Magazine, falando sobre Natal e as festas de fim de ano. 

Espero que o texto te ajude.

Se você tem alguém que está sofrendo com o luto nesta época, exercite a empatia. Não cobre a ‘felicidade’ desta pessoa num momento tão delicado. Respeite seus sentimentos e esteja sempre por perto.

Se for você quem está sofrendo com o luto, deixo o mesmo conselho. Respeite seus sentimentos e não cobre de si mesmo o impossível. Ria quando sentir vontade. Chore quando sentir que seu coração irá explodir. Cuide de si mesmo e não se importe com aparências.

A dor não vai durar para sempre e faz parte do processo de cura o respeito aos seus sentimentos. Fingir que o sofrimento não existe pode ser pior.

Certifique-se de que você tem o apoio necessário, família e amigos que realmente compreendam o que está passando são essenciais. E se você é um membro da família ou um amigo, não se preocupe com o que dizer – apenas esteja  presente.


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Aprecie a Estação

16 de novembro de 2016, por Henderson Lafond

Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: contato@robertamodulo.com.br


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E num piscar de olhos, nós estamos indo em direção a ‘mais maravilhosa época do ano’. Quando você já passou pela perda de um filho, os dias comuns não são mais os mesmos, muito menos as festas de fim de ano. A maior diferença está na pressão.

De repente, espera-se que vejamos família e amigos. Temos que vestir nosso sorriso, roupas bonitas e estar cheios de alegria natalina. Devemos espalhar amor e luz e doar um pouco de nós mesmos.

É a época do ano que estamos em contato com pessoas que normalmente não falamos ou não encontramos com frequência. Pessoas que talvez não saibam ou não vemos ‘desde então’. Temos que contar a história novamente, lidar com olhares de pena e responder às tentativas desorientadas de nos consolar e demonstrar empatia.

Ano passado foi meu primeiro período de festas após a perda de Madison e dizer que foi ‘difícil’ não começa nem a descrever como foi. O nascimento dela estava previsto para o período de Ação de Graças e como sou extremamente organizada, já havia planejado muitas coisas. Ela teria pijamas combinando, um enfeite com o nome dela e sua data de nascimento. Eu tinha um álbum no Pinterest dedicado a ideias para nosso cartão de natal.

E de repente tudo era diferente. Minha época do ano favorita tornou-se um pântano lamacento o qual tive que me arrastar rezando para que Janeiro chegasse logo.

Toda canção natalina me fazia chorar. Todas as luzes e decorações que eu geralmente mal podia esperar para ver, fizeram com que eu sentisse nada.  Eu não podia acreditar que alguém faria uma festa de natal, muito menos que nos convidaria para ir. O que exatamente estávamos comemorando? Eu estava cheia de ressentimento, pois minha filha não estava aqui e não conseguia enxergar além desse sentimento. 

Porque tínhamos um filho de três anos para nos preocupar, nós cumprimos com a formalidade. Compramos uma árvore, embrulhamos presentes, escondemos o duende (quase) todas as noites para que nosso filho o encontrasse na manhã seguinte. Acho que se dependesse da gente, meu marido e eu teríamos fugido para uma ilha ou teríamos ficado encolhidos dentro de casa até que as festas tivessem terminado. 

Todos nós chegamos ao período natalino em diferentes fases e estágios desta montanha russa da vida após a perda. Este ano será diferente do ano passado para mim e minha família, pois este é nosso segundo ano sem Madison. Não sei o que esperar, pois ainda não passei por isso e tudo bem. 

Seja este o seu primeiro ou o trigésimo primeiro, aprecie esta estação e seu luto independente de onde ele te levar. 

Esteja aberto aos seus sentimentos. 

Cuide de você mesmo. 

Faça o que te deixe confortável, nem mais, nem menos. 

Agarre-se à dor e à alegria da maneira que aparecem. 

Aprecie esta época independente do que ela te traga.




*Sobre Henderson Lafond

Henderson Lafond é esposa, sonhadora e mãe de três filhos de Mint Hill, Carolina do Norte. Seu segundo filho, uma menina chamada Madison Reid, nasceu sem vida em 17 de outubro de 2015. Através de seu luto, Henderson descobriu uma paixão em ajudar suas irmãs na perda e fundou Madison’s Closet (O armário de Madison) em 2 de abril de 2016. Sua missão é confortar e vestir mães que sofreram com a morte perinatal ao fornecer roupas doadas para ajudá-las a recuperar sua autoconfiança. Quando você tem algo bonito para usar, você se sente melhor. 

As mulheres que doam para Madison’s Closet fazem isso pensando nas mulheres que irão ajudar. Elas querem ajudar numa situação em que ficamos impotentes. Por favor, visite Madison’s Closet para saber mais sobre sua missão e também receber ou doar roupas. Henderson pode ser encontrada no Facebook, Twitter, Instagram ou The Huffington Post.

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