quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Do seu primeiro ao meu último





Encontrar uma motivação, um novo estímulo, uma razão para continuar a viver sem o pedacinho mais importante de meu coração, é uma das lições que devo aprender após a perda de meu filho.

Não é que nós, pais em luto, menosprezamos a vida de quem está ao nosso redor. Muito pelo contrário, a gratidão por tê-los à nossa volta, transborda de nossos corações. O fato é que, nosso bebezinho é parte da gente, e viver sem ele nos parece ser simplesmente sem propósito.

Mas a vida precisa continuar, e estímulos devem ser encontrados para que continuemos nossa jornada enquanto mantemos a memória do nosso pequenino viva.

Sinto que mudei muito após a morte do Noah... Embora ainda esteja extremamente fragilizada e dolorida, percebo que sou diferente. Por ele... Por causa dele... Aprendi a falar o que realmente sinto, aprendi a amar sem restrições, aprendi a aceitar quem eu sou e tento oferecer um pouco de conforto a esse mundo egoísta que vivemos.

Lições que só um pequenino poderia ter me ensinado...

Às vezes dá vontade de desistir de tudo, principalmente quando a onda de luto e tristeza me atinge com toda a força e me derruba de novo, de novo e de novo. 

Mas por ele e por causa dele EU NÃO VOU DESISTIR.

Esse lindo texto de Emily Long descreve tão brilhantemente o que passa em nossos corações, e mostra que realmente somos uma irmandade de pessoas que não se conhecem, mas dividem a dor da perda de um filho, e a gratidão por tê-lo conhecido.

Com carinho e o coração cheio de amor e muita saudade do meu pequenino,

Roberta 



Do seu primeiro ao meu último

18 de janeiro de 2016, por Emily Long*

Texto original em/Source: http://stillstandingmag.com/2016/01/from-your-first-to-my-last/
Tradução/Translation: Roberta Modulo (Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother of an angel called Noah)
e-mail: contato@robertamodulo.com.br


Você é meu primeiro pensamento ao acordar de manhã.

Você caminha comigo em cada passo do meu dia.

Ninguém pode vê-lo, mas você está perto de mim. Sem ser visto, sem ser escutado, mas nunca longe de minha consciência.

E tudo o que eu faço é por causa de você.

Cada risada, cada lágrima, cada conexão, cada ação. É tudo por causa de você e por você.

Você caminha comigo, meu precioso filho invisível. Eu caminho por você.

Eu caminho.
Eu fico em pé.
Eu corro.
Eu crio.
Eu dou.
Eu toco.
Eu amo.
Eu sou.

Eu sou mais por causa de você. Eu vivo mais plenamente, mais vivamente, e mais ricamente porque você viveu. Eu vivo seu legado.

Eu sinto, eu sofro, eu amo mais profundamente porque você viveu e morreu.

Eu caminho com você todo dia, sua mão imaginária com a minha, porque você não pode andar na Terra comigo.

Você é meu e eu sou sua, a cada passo e a cada momento de cada dia.

Você é meu último pensamento antes de dormir à noite.

Você é meu primeiro e último. Meu sempre.

Sou tão grata por você ter vivido.

Você viverá para sempre através de mim.

Do seu primeiro ao meu último. Sempre.




* Sobre Emily Long 
Emily é mãe de duas filhas que partiram muito cedo. Na faculdade, ela vivenciou a morte de seu noivo. Alguns meses depois, sua filha, Grace, nasceu sem vida. Depois de muitos anos, Emily finalmente procurou apoio e criou uma comunidade que a ajudou a encontrar beleza na vida novamente, após suas perdas. Quando sofreu o aborto de sua segunda filha, Lily, fornecer apoio para outros pais em luto tornou-se uma paixão e uma missão. Emily é psicoterapeuta de apoio ao sofrimento e defensora das famílias que sofrem a perda de seus filhos. Ela tem interesse em trabalhar com mães sem filhos vivos e é autora do livro “Invisible Mothers” (Mães Invisíveis). 
Emily acrescenta ao seu trabalho com famílias em sofrimento, o equilíbrio entre experiência pessoal e profissional. Além de promover apoio individual às mães e pais em luto, Emily se esforça para instruir e melhorar o cuidado às mães em luto por profissionais da saúde e outros psicoterapeutas. Ela escreve e instrui através de seu website http://emilyrlong.com.

domingo, 20 de dezembro de 2015

O Dia Dezenove de Dezembro



Um ano se passou, e a ferida continua tão exposta, tão dolorida. 
A verdade é que não sabemos como o processo de luto acontece, e um ano parece tanto tempo. 

Não para mim.

Há um ano eu vivia o que possivelmente seria o momento mais difícil de toda minha vida. 
Sem dúvida, a pior tragédia na história de qualquer pai e mãe que precisa enfrentar a ordem não natural das coisas.

Há um ano, perdi meu filho. 
Meu bebê. 
Meu Noah. 
Meu amor.

Há um ano vivo, ou sobrevivo, sem um pedaço do meu coração. 
Uma dor dilacerante e não há remédio para amenizá-la. 
Preciso viver com ela e sobreviver a ela.

Dizem que somos fortalecidos ao enfrentar momentos complexos na vida. 
Eu ainda não consigo acreditar nas coisas desta maneira.

Não me sinto forte. 

Me sinto como uma sobrevivente, pois vivi o impossível. 
E continuo respirando.

Meu pequeno é a primeira coisinha que penso todas as manhãs e os domingos ainda são extremamente dolorosos para mim. 
Saber que tenho mais um dia, mais uma semana à frente, que devo fazer planos para o futuro, e não poder colocar meu bebê neles...  
Reunir a família para mais um almoço, e sentir a falta constante de um pequenino integrante tão desejado...

Tudo isso dói demais...

Em minhas muitas leituras pela internet, encontro conforto na experiência de mães e pais que sofrem dessa dor há um pouco mais de tempo que eu... são mais experientes no sofrimento e ajudam os ‘novatos’ com muito carinho. 

Uma delas é Angela Miller, autora do livro “You are the mother of all mothers” (você é a mãe de todas as mães, em tradução livre), que dentre centenas de mensagens de esperança, diz: “It takes invincible strength to mother a child you can no longer hold, see, touch, or hear. You are a superhero mama.”

É preciso uma força invencível para ser mãe  de uma criança que você não consegue mais segurar, ver, tocar ou ouvir. Você é uma Mamãe Super-Herói.
Angela Miller*

Embora seja extremamente difícil ser mãe de anjo, sou a mamãe do Noah, a mãe que ele escolheu e não há gratidão maior no mundo.

Hoje é um dia de muita saudade, que aperta o coração. 
Mas é também um dia de reflexão, tentar descobrir como encontrei forças para chegar até aqui, como continuarei seguindo e como continuarei honrando a memória do meu filhote.

A força para seguir em frente eu encontro em todos os beijos que eu mando para o céu...
Em todas as conversas que tenho com meu menininho...
Em todos os bichinhos de asas de anjo que parecem me cumprimentar às vezes...
Em todas as músicas que secretamente dedico ao Noah...

Com a ajuda de um marido maravilhoso (o melhor pai que o Noah poderia ter) uma família linda e amigos tão compreensivos, vou vivendo... tropeçando, caindo, chorando... mas me levanto e sigo... às vezes um pouco mais rápido, outras mais lentamente... mas vou regando o mundo com um pouco mais de amor... 

Um amor tão grande que só um pequenino poderia ter me ensinado...


*Conheça mais sobre Angela Miller e seu lindo projeto aqui.

"Sempre que a dor parece ser muita,
eu tendo lembrar como minha vida
seria menos linda
se nunca tivesse conhecido
o nosso tipo de amor."




quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Os Balões de Noah



Com Caraguá ao fundo e com uma mistura de sentimentos, nossos balões subiram ao céu levando muito amor ao nosso pequenino.

Gosto de imaginá-lo brincando com seus balõezinhos e retribuindo o amor que recebeu.






Foi um dia muito especial e quero agradecer com todo o meu coração todas as mensagens de carinho que recebemos. 

Me senti muito amada e com a sensação de dever cumprido: contei ao mundo sobre a existência do meu pequeno Noah e fui surpreendida com mensagens de pessoas que torcem por nós, mesmo em silêncio e mesmo sem conhecê-las pessoalmente.

O luto afasta muitas pessoas que antes eram tão próximas... mas traz para perto da gente pessoas lindas, que antes não eram tão próximas. Obrigada queridos, cada mensagem fez a diferença em nosso dia!

Por isso digo que nosso Noah é um mensageiro de amor. Veio ao mundo com pressa, mas deixou um rastro lindo por todos os lugares.

Muito amor e gratidão a toda minha família e amigos, que mesmo distantes fisicamente, estiveram presentes no primeiro aniversário do Noah e compreendem o quanto meu filho é precioso para mim.


Com carinho,


Roberta 


domingo, 29 de novembro de 2015

O Primeiro Aniversário de Noah



Hoje é o primeiro aniversário do Noah. 
Meu pequeno completaria hoje um aninho de vida e nós não o temos em nossos braços.

Não consigo expressar o quanto isso é doloroso para nós. 
Quanta falta sentimos dele. 
Como eu queria estar enrolando brigadeiros nesse momento.

Perder um filho dói tanto, que nossa alma chega a sangrar. Todos aqueles planos que fizemos enquanto estávamos tentando concebê-lo foram enterrados junto com ele. E não há conforto para esse sentimento.

Tinha medo desse dia e ainda não estou confortável com meus sentimentos, mas tenho uma certeza dentro do meu coração: nenhuma tristeza é maior do que o amor que eu sinto por ele. Estranho dizer, mas eu sofreria tudo de novo, só para poder tocá-lo mais uma vez. 

Embora seu nascimento tenha sido longe do ideal, meu bebê nasceu, veio ao mundo no dia 29/11/2014 incrivelmente forte para um pequenino prematuro. E a alegria de poder vê-lo, tocar em sua pele lisinha, ver seus olhinhos procurando por mim e por minha voz.... ahhh isso não tem preço... 

Vivi os 20 dias mais intensos da minha vida toda, senti o poder do amor que uma mãe tem por seu filho, senti-me poderosa pois sou capaz de gerar uma vida... uma vidinha linda... 

Então, o dia de hoje é triste, é cinza sim... mas também carrega alegria, gratidão e muito amor. Um dia recheado por sentimentos ambíguos e que será celebrado sim.

Hoje não vai ter festa, não vou enrolar brigadeiros, mas vamos mandar para o céu muitos balões e muito amor para meu pequenino. 

E quanto tudo já estava pronto e planejado, me deparo com o texto a seguir, que me ajudou a traduzir nosso sentimento no dia de hoje... e me fez perceber que nossa ideia de soltar balões não é nada original, muito pelo contrário, muitos pais já fizeram isso por seus anjos.

Não seremos os primeiros, e também não seremos os últimos a comemorar o aniversário de um anjinho no céu.

Então deixo meu amor a todos esses pais guerreiros que continuam seguindo mesmo sem um pedaço de seus corações.

E ao meu filho... ahhh filhotinho... todo o amor que tenho dentro do meu coração. Espero que você receba meus beijos no céu, Noah.

Amamos tanto você, filho...

Com carinho,

Papai e Mamãe 



Primeiro Aniversário

20 de novembro de 2015, por Lisa Hand**


Tradução/Translation: Roberta Modulo (Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother of an angel called Noah)

e-mail: contato@robertamodulo.com.br

Há um dia especial que deveria ter sido o aniversário de nosso filho.  Era a data prevista para seu nascimento. Porém ele faleceu às 28 semanas no útero em abril de 2014. Então, tecnicamente nós já sobrevivemos seu primeiro aniversário no céu, mas esta data ainda está me atingindo com força.

Eu tenho que comparecer à primeira festa de aniversário de outro menininho. Eu gostaria de não ir, mas este outro menininho significa muito para mim e eu serei corajosa para então, conseguir comemorar com ele. Agora eu acredito que todo aniversário vale a pena ser comemorado.

Eu não consigo deixar de imaginar como a festa de aniversário do meu filho seria. Eu imagino que seria um grande evento, considerando que eu levei quase cinco anos para concebê-lo através de assistência reprodutiva. Ele era/é meu milagre.

Haveria uma tonelada de balões.

Fico pensando em quais brinquedos ele gostaria enquanto caminho pelos corredores procurando presentes para este outro menininho. Elmo? Thomas o Trem? Mickey Mouse? Então me lembro de que esses brinquedos não são para ele. Nunca haverá brinquedos para ele. Ele nunca vai ganhar um presente de aniversário. Ele nunca vai ter uma festa de aniversário.

Eu imagino sua roupa de aniversário. Jardineira? Super-heróis? Talvez um macacão mostrando um ousado ‘1’ exibido sobre o peito? Ele seria o tipo de criança que anda descalça ou ele preferiria sapatos? Velcro? Slip-ons? Nunca haverá uma roupa de aniversário. Ele nunca vai começar a usar sapatos de menino grande.   

Quem estaria lá? Seus avós dirigiriam centenas de milhas para o grande dia? Os outros bebês que nasceram na mesma época estariam lá? Ele estaria andando, caminhando apoiado nos móveis ou ainda engatinhando? Ele nunca terá uma lista de convidados para seu aniversário. Ele nunca atravessará a sala, caminhando orgulhoso, até sua mãezinha.

Este dia está trazendo uma coleção de emoções à superfície. Mas acima de tudo, traz muitas perguntas. Eu me pergunto quem ele teria sido. Eu me pergunto quem eu teria sido se ele estivesse aqui. Eu me pergunto como seria comemorar o aniversário do meu primeiro filho.   

Ele não estará aqui para amassar seu primeiro bolo ou abrir seu primeiro presente de aniversário, mas eu garanto que ele receberá uma tonelada de balões. 

Ele ainda é meu bebê e eu ainda sou sua mãezinha.

Então ainda haverá uma tonelada de balões.

Lisa e seu marido


**Lisa Hand vive atualmente na Virginia com seu amado marido. Ela é esposa de militar, blogueira, amante de Cristo, especialista certificada em vida infantil, leitora ávida e estudante de pós-graduação buscando mestrado em aconselhamento profissional. Lisa é a mãe orgulhosa de quatro anjos, Faith, Hope, Jake & Harbor. Sua jornada à maternidade começou com a perda de Faith e Harbor em dois abortos separados, no primeiro semestre em 2010, após um ano tentando conceber. Lisa levou então mais 3 anos e meio para conceber seu próximo bebê. Ela concebeu Jake por Inseminação Intrauterina e o perdeu às 28 semanas devido a um acidente com o cordão umbilical no útero. A morte de Jake mudou Lisa para sempre. Apenas quarto meses depois, Lisa concebeu novamente por Inseminação Intrauterina e perdeu Hope às 10 semanas. Ambos, Lisa e seu marido sofrem com infertilidade. Lisa foi diagnosticada em dezembro de 2014 com Metilenotetrahidrofolato Redutase (MTHFR) e Fator II – ambas são condições genéticas que fazem a concepção e a gravidez a termo muito difícil se não for tratada. Eles passaram este ultimo ano focando no luto, na cura e na recuperação da esperança. Lisa é membro assíduo da Resolve and Share. Lisa é apaixonada pela conscientização sobre infertilidade e perda de bebês. Você pode acompanhar sua jornada em Hope After Hope

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Outubro Rosa mas também Azul e Rosa


Mês de Conscientização da Perda Gestacional e Infantil


Outubro, também conhecido como Outubro Rosa, é o mês de conscientização e prevenção do câncer de mama. Uma campanha cuja importância é indiscutível. Muitos usam roupas e fitas rosa durante o mês. E disso, todos sabem.

O que poucos sabem, é que Outubro também é o Mês de Conscientização da Perda Gestacional e Infantil (Pregnancy and Infant Loss Awareness Month), sendo o dia 15 de outubro escolhido para ser o dia desta conscientização, com o objetivo de recordar dos pequenos que partiram muito cedo, conscientizar a população sobre perdas infantis, bem como quebrar o silêncio e o tabu que existe ao redor do assunto. 

A data é lembrada em vários países, e embora não seja reconhecida no Brasil, acredito ser muito importante levantar esta bandeira por aqui também. 

** Outubro é Mês de Conscientização da Perda Gestacional e Infantil - Eu sou a cara da perda gestacional e infantil - Eu sou 1 em 4 - Aborto espontâneo, perda infantil, perda ao nascer (natimorto). **

Eu sou 1 em 4. 

Um número extremamente alto, que representa a quantidade de perdas gestacionais que ocorrem a cada momento. 

Imagine: 

* 1 a cada 4 mães e pais, não terão a oportunidade de ver seus pequenos crescer. 

* 1 em cada 4 mães e pais, nunca carregarão seus filhos nos braços. 

* 1 em cada 4 mães e pais, jamais terão sua maternidade ou paternidade reconhecidos. 

* 1 em cada 4 mães e pais serão evitados pela sociedade que terá medo em pronunciar o nome de seu bebê. 

* 1 em cada 4 mães e pais terão que aprender a continuar a viver, mesmo faltando um pedaço de seu coração...

Eu sou 1 em 4. 

Sou mãe de um anjo. Um pequeno anjo guerreiro chamado Noah.


O texto que traduzi abaixo, de autoria da linda Franchesca Cox, fala um pouco sobre essa data e como você pode participar e ajudar.

Um pouco mais de consciência sobre o assunto fará do mundo a nossa volta um lugar muito mais amável de se viver! E quem sabe, após a leitura, você não quebra o silêncio, e usa ao lado da sua fita rosa, uma delicada fita azul e rosa?

Com carinho,

Roberta

****************

Algo mais valioso do que sentir pena
1 de outubro de 2015, por Franchesca** 

Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother of an angel called Noah)
e-mail: contato@robertamodulo.com.br


Eu ingenuamente já me perguntei, para minha própria vergonha, para que servem os meses, cores e caminhadas de conscientização. Já pensei muito seriamente sobre isso. Eu era profundamente curiosa em saber como usar uma cor, uma fita ou uma camiseta poderia mudar tudo. Seria uma maneira diplomática de irritar corações para doar dinheiro a uma causa? Seria para sentir o senso de comunidade? Seria para nada além da palavra, conscientização? E então eu poderia aprender que Alzheimer, câncer de mama, câncer de próstata, leucemia existem? A farsa das fitas e caminhadas parecia como uma súplica por atenção. Parecia que a necessidade por conscientização ia além da existência da própria doença. Parecia mais uma súplica por atenção e conscientização até que esta terrível, terrível coisa acontecesse comigo.

Então eu entendi.

Era exatamente isso. Mas era também muito mais.

Era uma maneira de solenemente agitar uma bandeira sobre nosso mundo inquieto e ocupado, em um determinado dia do calendário, pedindo gentilmente que o resto do mundo pare e preste atenção.

Para escutar.

As batidas de nosso coração. Nossas histórias. As vidas de nossos filhos. A linda e trágica maneira com que o luto tem se apresentado em nossas vidas para sempre. E que apesar de TUDO, nós não faríamos nada de maneira diferente. 

Porque o amor vale muito a pena.

É pedir ao mundo que nos dê ouvidos e que dê ao seu coração a chance de crescer um pouco mais em compaixão. É pedir que saia totalmente de sua zona de conforto. Bebês mortos e escolha de fantasias (ou temporada de futebol) se misturam como água e óleo.

Para chorar com a gente. Lágrimas quebram paredes mais facilmente do que mil marretas.

Para lembrar com a gente. Sim, não é conveniente sair de uma festa de aniversário para uma caminhada para lembrar-se de um bebê morto. E pode causar estranheza acender uma vela para um bebê que morreu há X anos atrás. 

Mas você sabe como esses tabus sem sentido mudam? Através de pequenas ações e pessoas dispostas. Um por um por um. O silêncio é quebrado. Mitos são destruídos. E o melhor de tudo, todas as barreiras são derrubadas.

As mães e pais que estão nesses espaços vazios sentem o seu amor, seu apoio. 
E nós percebemos, porque nós nos sentamos ao seu lado na mesa, que isso é fácil para você fazer.

Nós não precisamos de sua pena, nós precisamos do seu A M O R.

Acenda uma vela. Envie uma mensagem. Escreva um e-mail. Envie um cartão. Telefone para ele ou ela. Clique no estúpido botão de curtir em uma postagem no Facebook para apoiar ele ou ela ao dividir uma parte íntima de seu sofrimento e dor (não é estúpido para a pessoa que você está apoiando, eu juro).

Nós esqueceremos muitas coisas, porque como pais em luto nossas almas ficaram envelhecidas e nossas mentes cansadas, mas nós jamais esqueceremos a mão que você estendeu em nome de nosso filho.

Este mês pertence aos nossos filhos. Você será corajoso?


** Sobre Franchesca

Pés descalços, coração de hippie, amante do natural, mamãe apaixonada por yoga. Louca por comida. Investigadora da saúde holística. Sobrevivente do luto. Sobrevivente dessa vida selvagem e preciosa.


Franchesca também disponibilizou fotos que ajudam a quebrar o silêncio sobre as perdas infantis. Ela autoriza a cópia desse material, desde que seja mantida a fonte e a marca d'água.

Você encontra essas figuras na página da autora no Facebook: https://www.facebook.com/franchesca.cox e conhece um pouco mais sobre seu lindo trabalho em http://www.wildfeatherswellness.com/

* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi uma sobrinha. * 
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi um bebê. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi um irmão. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho uma filha. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi uma filha. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi gêmeos. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho mais do que uma filha. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho netas. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi uma neta. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi sobrinhos. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho um neto. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho um bebê. * 
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi um neto. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho uma neta. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho netos. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho sobrinhos.*
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi sobrinhas. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi netos.*
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi mais de um bebê. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi um sobrinho. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi trigêmeos. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi um filho. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho mais do que um filho* 
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho filhos. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho mais do que um neto. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho um irmão. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho um sobrinho. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi netas. *
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu perdi uma irmã.*
* Quebrando o silêncio e contando ao mundo que eu tenho mais do que um filho.*





terça-feira, 15 de setembro de 2015

Meu maior tesouro



“Eu amei um menino com o maior amor de que minha alma é capaz, e ele é levado de mim... mesmo na dor excruciante de meu espírito em entregar tal tesouro, eu me sinto mil vezes mais rico do que se eu nunca o tivesse possuído.”

Noah, você é minha maior bênção... meu maior tesouro...