domingo, 20 de dezembro de 2015

O Dia Dezenove de Dezembro



Um ano se passou, e a ferida continua tão exposta, tão dolorida. 
A verdade é que não sabemos como o processo de luto acontece, e um ano parece tanto tempo. 

Não para mim.

Há um ano eu vivia o que possivelmente seria o momento mais difícil de toda minha vida. 
Sem dúvida, a pior tragédia na história de qualquer pai e mãe que precisa enfrentar a ordem não natural das coisas.

Há um ano, perdi meu filho. 
Meu bebê. 
Meu Noah. 
Meu amor.

Há um ano vivo, ou sobrevivo, sem um pedaço do meu coração. 
Uma dor dilacerante e não há remédio para amenizá-la. 
Preciso viver com ela e sobreviver a ela.

Dizem que somos fortalecidos ao enfrentar momentos complexos na vida. 
Eu ainda não consigo acreditar nas coisas desta maneira.

Não me sinto forte. 

Me sinto como uma sobrevivente, pois vivi o impossível. 
E continuo respirando.

Meu pequeno é a primeira coisinha que penso todas as manhãs e os domingos ainda são extremamente dolorosos para mim. 
Saber que tenho mais um dia, mais uma semana à frente, que devo fazer planos para o futuro, e não poder colocar meu bebê neles...  
Reunir a família para mais um almoço, e sentir a falta constante de um pequenino integrante tão desejado...

Tudo isso dói demais...

Em minhas muitas leituras pela internet, encontro conforto na experiência de mães e pais que sofrem dessa dor há um pouco mais de tempo que eu... são mais experientes no sofrimento e ajudam os ‘novatos’ com muito carinho. 

Uma delas é Angela Miller, autora do livro “You are the mother of all mothers” (você é a mãe de todas as mães, em tradução livre), que dentre centenas de mensagens de esperança, diz: “It takes invincible strength to mother a child you can no longer hold, see, touch, or hear. You are a superhero mama.”

É preciso uma força invencível para ser mãe  de uma criança que você não consegue mais segurar, ver, tocar ou ouvir. Você é uma Mamãe Super-Herói.
Angela Miller*

Embora seja extremamente difícil ser mãe de anjo, sou a mamãe do Noah, a mãe que ele escolheu e não há gratidão maior no mundo.

Hoje é um dia de muita saudade, que aperta o coração. 
Mas é também um dia de reflexão, tentar descobrir como encontrei forças para chegar até aqui, como continuarei seguindo e como continuarei honrando a memória do meu filhote.

A força para seguir em frente eu encontro em todos os beijos que eu mando para o céu...
Em todas as conversas que tenho com meu menininho...
Em todos os bichinhos de asas de anjo que parecem me cumprimentar às vezes...
Em todas as músicas que secretamente dedico ao Noah...

Com a ajuda de um marido maravilhoso (o melhor pai que o Noah poderia ter) uma família linda e amigos tão compreensivos, vou vivendo... tropeçando, caindo, chorando... mas me levanto e sigo... às vezes um pouco mais rápido, outras mais lentamente... mas vou regando o mundo com um pouco mais de amor... 

Um amor tão grande que só um pequenino poderia ter me ensinado...


*Conheça mais sobre Angela Miller e seu lindo projeto aqui.

"Sempre que a dor parece ser muita,
eu tendo lembrar como minha vida
seria menos linda
se nunca tivesse conhecido
o nosso tipo de amor."




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