terça-feira, 15 de agosto de 2017

Quando mais um filho se vai...

  

Domingo foi Dia dos Pais... o primeiro sem meu pai aqui na Terra e eu já imaginava que seria um dia difícil, repleto de amor e saudade...

O que eu não poderia imaginar é que seria um dia de despedida... domingo pela manhã, Deus levou meu filho peludo... Brutinhos se foi e com ele levou mais um pedaço do meu coração...



Quem nunca teve um filho peludo não pode mensurar o tamanho do amor que sentimos por esses seres... Brutus viveu comigo por 10 anos, 8 meses, 16 dias e algumas horas... juntos, formamos uma família, dividimos as mesmas casas, a mesma cama, as mesmas histórias... nos separamos por tão poucas vezes que dá até para contar nos dedos da mão...



Meu filhote foi um professor magnífico, me ensinou o real significado do amor, cuidado e dedicação, sem pedir nada em troca... a gente se entendia com um olhar e ele foi o mais mimado dos cãezinhos, tenho certeza...


Dono de um gênio difícil (assim como eu) e uma inteligência impressionante, minha avó costumava dizer que ele só não falava para não ter que trabalhar...



Fui muito mais do que sua ‘tutora’, meu Brutinhos me ensinou a ser mãe, a abdicar de coisas para mim se fosse preciso, a priorizar uma vida antes da minha... me fez olhar com compaixão à vida dos outros animais, me ensinou que havia dor e sentimento por trás do olhar de cada ser vivo e me tornei vegetariana por causa dele...



Esteve ao meu lado durante a gravidez, foi o último a ser fotografado com minha pancinha de Noah... 



Me ajudou a sobreviver à morte do Noah, respeitou meus momentos de silêncio e tristeza, repousando sua carinha linda no meu colo sempre que queria me confortar... 


Quando precisei de uma mão, encontrei sua pata. 
Por tantas vezes ele foi flagrado brincando sozinho no quarto vazio do irmão que havia partido tão cedo... uma das cenas mais lindas que já vi na vida... a certeza de que eles se enxergavam e que estavam ao meu lado de alguma maneira...





Brutus era um cãozinho feliz, muito sapeca, de temperamento forte e personalidade única, vivia no colo, ganhava carinho e petiscos da família toda e quando adoeceu... o mundo ruiu sob nossos pés, mas NUNCA desistimos...



Investimos tempo, dinheiro, amor, cuidados, orações, noites em claro... tudo para salvar a vida do nosso toquinho... 




Nossa jornada parecia ser infinita, busquei pelo que eu acreditava ser o melhor para ele e em nosso caminho encontramos inúmeros profissionais...

Alguns, fizeram o minimamente necessário...

Outros, aceitaram nosso dinheiro nem nunca nos olhar nos olhos...

Também tiveram aqueles que nos jogaram pra ‘frente’ como batata quente, não se esforçaram para nos ajudar sendo incapazes de enxergar o Brutus além de sua doença e não tiveram a coragem de mudar o tratamento quando ainda era tempo... testemunharam a piora do nosso pequenino sem fazer nada... 

Como diz minha mãe, ninguém dá o que não tem. É inútil pedir amor, compaixão e empatia de pessoas vazias, claramente desprovidas de tais sentimentos... Sinto por ter depositado tanta confiança nesses profissionais, no entanto, espero que seus corações sejam um pouco mais aquecidos após conhecer o Brutus.



Ainda assim, diante de tanta dor e luta, encontramos profissionais que realmente fizeram a diferença... lutaram ao nosso lado, acarinharam nosso pequeno durante um exame, acompanharam nossa trajetória de perto, vibraram com nossas vitórias e hoje choram comigo a despedida prematura do nosso guerreiro.





A estes profissionais e amigos, toda a minha gratidão e carinho.


Hoje meu filho de quatro patas não está mais aqui... desejo que quando ele acordar lá no céu, seja recebido com todo amor pelo vovôzinho que ele tanto amava e pelo irmão que ele não teve a chance de conhecer nesse mundo.



Por aqui, a casa está mais vazia, mais silenciosa... sua comidinha ainda está no armário, os remédios na gaveta e ainda não tenho forças para jogar fora o resto da sopinha que ele comeu no sábado com tanta vontade... sua roupinha dorme comigo e peço a Deus que me permita encontrar com ele nos sonhos...  



Sei que ele está bem. Levou com ele um pedaço grande do meu coração. Será recebido com muita festa e vai continuar olhando por mim lá de cima.

Me ensinou muito, foi amado, cuidado e mimado por toda a sua vidinha, juntos escrevemos uma linda história de amor, respeito e companheirismo...

Vai em paz meu amorzinho, meu filho, meu best friend, meu guerreiro... mamãe ama você com todo o coração dela... e por favor, cumpra com o nosso combinado e beije muito seu vovô, vovó, irmãozinho e todos aqueles que certamente te recepcionarão na sua chegada ao paraíso.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Amo Falar Sobre Ele

eu amo falar sobre ele - Legado de Noah

Ele é meu assunto favorito! 

É o ator principal de 4 das minhas tatuagens e eu adoro quando alguém quer saber mais sobre os pequenos pezinhos tatuados sobre meu coração!

É verdade que a pergunta sempre surge com um tom de voz receoso e às vezes um pedido de desculpas logo na sequência, acompanhado por uma mudança repentina de assunto. Um misto de curiosidade, empatia e embaraço, mas acima de tudo, coragem!

Coragem por ultrapassar a barreira de um tabu desnecessário, o temor de querer saber mais sobre o bebê que morreu e me fazer chorar por lembrar.

Eu nunca me esqueço dele. 

Assim como todas as mães e pais que tem o privilégio de dividir esta vida com seus filhos, eu também penso no meu o tempo todo, converso com ele e sinto muito a sua falta. Então, quando alguém quer saber mais sobre meu toquinho, é como se ele estivesse mais perto. 

Gosto de contar que ele era a minha cara com o corpinho igual ao do pai dele... pés compridos, dedos longos... loiro, com meu narizinho... 

Amo lembrar da sua carinha linda procurando por minha voz, me chamando de ‘mãe’ com um olhar (há algumas semanas o texto de uma amiga amada me presenteou com esta linda percepção)...

Então, não tenha medo de perguntar, de querer saber mais... Prepare-se para ouvir uma linda história recheada de amor, saudade e sentimentos verdadeiros. 

Sim, talvez a história seja regada por lágrimas, mas não se sinta desconfortável. Você também não precisa se desculpar por elas, o choro não foi motivado por sua pergunta. 

Na verdade, as lágrimas fazem parte de meu dia, do meu 'novo eu' e eu as respeito, as deixo cair quando querem e não me envergonho disso. 

amo falar sobre ele legado de noah
“Aprendi que o luto é na verdade apenas amor.

É todo aquele amor que você quer dar, mas não pode. 

Todo aquele amor guardado que se junta nos cantos dos seus olhos, 

no nó em sua garganta 

e naquele buraco vazio de seu coração. 

O luto é apenas amor,

Sem lugar para ir”


Minhas lágrimas são na verdade amor, o amor que guardei mas não pude dar... 

Se você tem um pai ou uma mãe em luto por perto e quiser praticar sua amizade, peça para que eles te contem um pouco sobre o filho que partiu. 

Não se preocupe em responder com uma palavra ou frase mágica à história que acabou de ouvir. 

Apenas sinta. 

Escute. 

Coloque-se no lugar deles. 

Como eu já disse aqui no blog, não precisamos de conselhos nem de conserto. 

Precisamos de amor.


A tradução a seguir contém o desabafo de uma mãe em luto e descreve como é importante para ela falar sobre seu filho, Wyatt. 

Falar sobre o Noah é validar sua existência, me faz senti-lo próximo e me ajuda a perpetuar sua história e seu legado.


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Amo Falar Sobre Ele

27 de Maio de 2017, por Bev Cooper

Texto original em/Source: http://stillstandingmag.com/2017/05/i-love-to-talk-about-him/
Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: aqui

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As pessoas presumem que você não queira falar sobre isso. Que mencionar o assunto é muito doloroso, traz memórias dolorosas que você quer esquecer. 

Na verdade, o oposto é verdadeiro. Sim, é doloroso, mas eu amo falar sobre ele. 

Eu convivo com a dor diariamente, então falar sobre ele não me faz lembrar da dor, ela está lá e é impossível de esquecer. Mas falar sobre ele permite que eu me lembre dele, lembre de sua vida e de sua existência. 

Eu posso chorar, posso ficar emotiva, mas esses sentimentos e lágrimas ajudam a validar a vida dele. 

Ele existiu. 

O amor é real.

Eu tenho um filho.

Wyatt nasceu em 31 de outubro de 2014 e pesava 5 libras de perfeição. Por razões que eu jamais entenderei, ele morreu antes que pudesse dar seu primeiro suspiro, quando eu estava com 37 semanas de gestação. Há menos de duas semanas minha gestação havia sido descrita como ‘o retrato da saúde’. Nossas esperanças e sonhos por este filho se foram em um rápido segundo. 

Qualquer pai enlutado te dirá que o tempo não cura, mas o tempo te ensina como viver com a dor. Isso é algo que tinha escutado e lido. Eu não podia acreditar que fosse verdade.

Como. Você. Pode. Viver. Com. Essa. Dor. 

Três meses se passaram desde a morte de Wyatt. Três meses não é nada, principalmente quando você considera que eu tenho o resto da minha vida para viver sem ele. 

Mas estou aprendendo que você realmente aprende a viver com essa dor. 

Às vezes você sente como se seu corpo pudesse se quebrar em mil pedaços. Você nunca imaginou que pudesse se sentir tão quebrada, tão vazia e tão completamente impotente. Essas palavras foram redefinidas e hoje eu posso sentir o que elas realmente significam. 

Mas aqui estou, três meses depois, ainda vivendo e ainda sentindo a dor.

Nos últimos três meses eu busquei por conforto e alívio em todo lugar que eu pudesse encontrá-los. Li livros e blogs e falei com qualquer um que ouvisse. É como se eu estivesse em busca de palavras mágicas ou alguma revelação mágica que faria com que tudo fizesse sentido. 

Se eu continuar procurando, talvez eu encontre e isso fará com que a dor cesse. 

Mas quando aqueles momentos de dor surgem, quando do nada você perde o chão, não há nada que ninguém possa fazer ou dizer que ajude a levar embora aqueles sentimentos pesados e obscuros. 

Eles se tornaram parte de você. Você pode se distrair às vezes, mas eles estão lá e você sabe muito bem disso.

Há algumas coisas que ajudam a me confortar. Um dos momentos que me sinto mais forte é após ter uma boa conversa sobre Wyatt. Pergunte-me qualquer coisa que você queira saber, eu responderei com prazer. 

Permitir que um pai fale sobre seu filho que morreu permite que se sintam mais próximos deles. 

Eu amo compartilhar a história do Wyatt, não quero fingir que ele não existiu, porque ele existiu. E ainda existe. Ele me mudou e é para sempre uma parte de mim. 

O que as pessoas não percebem é que eu não quero escondê-lo dentro da caixa de memórias que fica em minha penteadeira. 

Falar sobre seu filho vivo te faz sentir orgulho? Pergunte-me sobre o Wyatt, por trás das lagrimas e do coração partido, você verá o mesmo orgulho que você veria quando falo sobre sua irmã mais velha, Briar.


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Lágrimas


Por tantas vezes privo minhas lágrimas de caírem livremente com receio de demonstrar minhas fraquezas ou momentos de tristeza... quando na verdade, elas são sagradas e falam com mais veemência do que milhares de palavras!

Às vezes as impeço de cair, por medo de que nunca cessem. Por outras, as deixo livre e elas lavam minha alma me preparando para o próximo ‘momento’ - um de cada vez.

Nunca sei se poderei controlá-las, mas aprendi a respeitá-las, já que são sagradas e fazem parte de um intenso e indestrutível laço de amor.


Há algo sagrado nas lágrimas.
Elas não são marca de fraqueza, mas de poder.
Elas falam com mais eloquência que dez mil línguas.
São mensageiras de uma dor excruciante...
E de um amor indescritível.
Washington Irving

 



quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Companheiros na Dor





Dor. Pânico. Impotência. Descrença. Desespero. Raiva. Incompreensão. Solidão. Tristeza.

São alguns dos muitos sentimentos que carrego comigo desde que o coraçãozinho dele parou de bater. 

Independente da idade ou das circunstâncias da morte, a despedida é sempre excruciante e NADA nesse mundo se assemelha à dor pela perda de um filho. Apenas um pai que já passou por isso consegue verdadeiramente compreender o que digo. 

A solidão é um sentimento constante, porque ser mãe de anjo é participar de um grupo bem restrito. Sei que poucos no mundo conhecerão este sofrimento e sou bastante grata por isso, visto que não desejo tamanha dor a ninguém. 

Esta semana recebi uma notícia que fez meu coração se entristecer e partir ao meio novamente. O Céu ganhou mais um anjo e a Terra mais uma mãe e um pai de anjo.

Pessoas queridas, que participaram de nosso luto de uma maneira muito especial e repentina - ouvindo nossa história com carinho e ajudando a eternizar nosso pequeno em nossas peles -  agora se despedem de sua pequenina.

Há cerca de um mês eu a peguei no colo e beijei muito sua bochechinha fofa – o primeiro (e único) bebezinho que peguei no colo desde a morte do Noah. 

E ela me ensinou que a vida ainda pode ser naturalmente bela, ela me fez sorrir com sua simpatia, aqueceu meu coração com seu jeitinho moleca. Uma bebê linda, risonha e sem dúvida alguma, muito amada.

Uma anjinha cuja história se assemelha muito com a do nosso Noah... filhotinha de pais unidos a um longo tempo, fruto de um lindo amor, criada com irmãos peludos e muito rock ‘n’ roll. 

Perfeitos demais para esse mundo.

Jamais encontraremos uma justificativa que acalente nossas almas e nossos corações dilacerados. Só nos resta manter seus legados de amor aqui na Terra enquanto nos esforçamos muito para que se orgulhem de nós, os pais guerreiros que eles escolheram a dedo. 

Amigos, se houvesse alguma coisa (qualquer coisa) que amenizasse esta dor da qual sou tão íntima, eu faria por vocês. Infelizmente, nada que eu fizer ou disser irá abrandar o sofrimento - e eu sinto MUITO por isso. Mesmo.

Nosso caminho é tortuoso e não cabe a mim lhes aconselhar, tampouco dizer por onde ir – eu também estou tentando encontrar as respostas para minhas perguntas.

Mas podemos caminhar juntos, lado a lado.  

Meu carinho, minha mão amiga e todo o meu amor é tudo o que posso lhes oferecer - e certamente é o que tenho de mais precioso.

Desejo que nossos anjos se encontrem e nos observem lá do alto. 

Desejo que vocês descubram a força que têm e que sejam ainda mais unidos. 

Desejo que vocês respeitem e protejam seus corações e seus sentimentos. 

Desejo que o AMOR triunfe em seus corações. 

Contem comigo para o que precisar. 

Vocês não estão sozinhos.

"A morte não me define – é a vida e este amor que me definem." 

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Querido Pai Recém-Enlutado


27 de janeiro de 2016, por Angela Miller**

Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)


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Essa será provavelmente a coisa mais difícil que você fará. Sobreviver a isso. E um dia, talvez, até florescer novamente. 

Às vezes vai parecer praticamente impossível. Você irá se perguntar como um ser humano consegue sobreviver à tamanha dor. Então, vai perceber que já sabe como desafiar o impossível. Você o desafiou no momento em que o coração de seu filho parou e o seu continuou a bater. Você o desafia a cada vez que respira e a cada passo que você dá. Você o desafia agora. E agora. E agora.

As unhas de suas mãos ficarão ensanguentadas ao se arrastar para fora das profundezas do desespero. Seu espírito vai ficar exausto de lutar para sobreviver. Seus olhos irão chorar mais lágrimas do que você jamais imaginou ser possível. Seus braços vão doer uma dor para a qual não há palavras. Por uma vida inteira.

Seu coração vai quebrar em um milhão de pedacinhos bem pequenos. Você se pergunta se algum dia ele será remendado novamente.

Mas em cada pequeno pedaço desta dor indescritível, há amor. Uma fartura de amor. Um amor tão forte, tão poderoso, que irá te sustentar. Você não irá afundar.

Pessoas dirão coisas na intenção de serem úteis, mas não são. Pegue o que é, abandone o que não é.

Ainda assim, você encontrará outras pessoas ao longo de sua jornada que te entenderão sem que diga nada. Almas amáveis que irão te conduzir de volta à vida. Permita. 

Após anos nesta estrada você se cansará de ouvir os mesmos conselhos e frases prontas, de novo e de novo. Conselhos que você não quer ou não precisa. Todos tentarão encontrar a melhor maneira para ‘consertar’ seu coração partido. O problema é que você não precisa de conserto.

Não existe conserto para isso.

Um dia você aprenderá como carregar o peso desta dor. Ele vai te esmagar às vezes. Outras vezes você vai descobrir que pode suportar este fardo com garra e elegância. De qualquer maneira, você vai se adaptar a este peso.

Ele não vai te quebrar. Não por completo.

E ainda que você não acredite na esperança – mesmo que nem um pouco – a esperança iluminará o caminho para você. Às vezes você nem vai perceber que seu caminho está iluminado. A escuridão nos consome quando estamos dentro dela. Mas saiba que a luz está lá. Ao seu redor agora. E agora. E agora.  

Saiba que você está sendo guiado por todo nós, sobreviventes do impossível. Talvez você não nos escute, não nos veja, mas nós estamos com você. Ao seu lado. De mãos dadas. Coração com coração. Sempre. Assim como seu filho ainda está.

Acima de tudo, saiba que ninguém poderá te salvar além de você mesmo. Você é o herói/a heroína desta triste história. Você é quem decide como (e se) sobreviverá a tudo isso. Você é quem vai descobrir uma maneira de sobreviver às noites em claro e os dias sem fim. Você é quem vai decidir quando (e se) irá encontrar um objetivo que signifique alguma coisa para você. Você é quem vai decidir como viverá com a dor. Você é quem vai decidir em que se agarrar, o que fará sua vida valer a pena novamente. Você, só você, irá decidir como sobreviverá.

Ninguém pode fazer isso por você.

As pessoas falarão sobre “conclusão”, sobre “seguir em frente”, sobre “superação”, sobre o fim do sofrimento. Sorria gentilmente, e saiba que os que dizem este tipo de coisa nunca viveram esta coisa chamada dor.

Perder um filho é perder seu próprio coração e sua própria alma. É avassalador, desconcertante. Leva um longo, longo tempo para você se encontrar novamente. Leva muito tempo para cultivar uma vida nova ao redor do abismo de tamanha perda. Leva muito tempo para colher beleza de cinzas. 

Sempre haverá um buraco em seu coração, do tamanho e formato de seu filho. Ele é absolutamente insubstituível. Nada preencherá o vazio que ele deixou. Mas seu coração vai crescer lindamente ao redor do espaço vazio deixado por ele.

O amor e a dor que você carrega por seu precioso filho estará entrelaçado em cada pedacinho da trama que compõe seu ser. Te incentivará a fazer coisas que jamais sonhou serem possíveis.

Um dia, você irá descobrir como viver por vocês dois. Será lindo e será difícil.

Mas o amor que vocês dois compartilham vai te guiar. Você irá espalhar este amor onde quer que vá.

Um dia você será capaz de enxergar novamente. Um dia encontrará novamente o seu rumo. 

Um dia, você vai se dar conta de que... sobreviveu.


**Sobre Angela Miller

Angela Miller é escritora, palestrante e defensora do luto que oferece apoio e consolo aqueles que estão sofrendo a perda de um filho. Ela é autora de You Are the Mother Of All Mothers: A Message Of Hope For the Grieving Heart, fundadora da premiada comunidade online A Bed For My Heart, escreve para Open to Hope Foundation and Still Standing Magazine. Angela escreve francamente sobre a perda de filhos e o sofrimento, sem mascarar a realidade da vida após a perda. Seus textos e seu livro já apareceram na Forbes, Psychology Today, MPR, BlogTalk Radio, Open to Hope Radio and Writerly, entre outros. Quando ela não está escrevendo, viajando ou cuidando de corações, você encontra Angela aproveitando cada momento com seus dois lindos meninos de olhos azuis.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Dois.Longos.Anos



Ainda não compreendo como sobrevivemos àquele dia. Onde encontramos forças para lidar com o inesperado, com tamanha dor que ecoa até os dias atuais e permanece doendo – dois anos depois.

Só sei que quando se perde tanto, a gente se agarra ao que tem – e agarra com força. 

Agarro-me com força à memória do Noah se amontoando dentro da minha barriga, toda vez que ouvia a voz do pai... a lembrança de seu corpinho ligeiro dentro da incubadora, sua boquinha pequenina e os olhos que procuravam por mim ao ouvir o som da minha voz.

Dono de perninhas e bracinhos longos e sapecas, pele lisinha e cabelo loirinho... assim era o Noah. 

Meu pequeno guerreiro, amor da minha vida. 

É preciso muita força para segurar firme e seguir em frente, sem nos render aos sentimentos de impotência que assombram os pensamentos de quem não pode mudar o passado. 

A verdade é que ele não está mais aqui e embora não possa mais cuidar nem proteger seu pequeno corpinho, tenho a obrigação de manter seu legado vivo e assim sentir que continuamos próximos, sem nunca esquecer de agradecer por tê-lo carregado dentro de mim, por ter conhecido seu lindo rostinho e poder levar dentro de meu coração, o maior amor do mundo!

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Seu Legado, Sua Luz

20 de Outubro de 2016, por Lexi Behrndt

Texto original em/Source: http://stillstandingmag.com/2016/10/your-legacy-your-light/
Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: contato@robertamodulo.com.br

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Não é esquecer,
Nem agir como se as cicatrizes não existissem,
Nem tentar não lembrar o seu rosto,
Ou a curva de seu sorriso.

Não é evitar
As dores,
As memórias que nunca terei,
O espaço entre nós.

É a luz de seu sorriso
Encontrando seu caminho até o meu,
E o fogo em seus olhos
Ateando fogo em minha alma.

Com amor.
Com compaixão.
Com bondade.
Com esperança.

É você
Seu legado, sua luz,
Seu nome, sua memória,
E o amor que nunca morre.

Você me deixou melhor.
Você me deixou mais corajosa.
Você me deixou mais amável.
Você me deixou
Com as melhores partes de você.

(Este artigo apareceu originalmente em Scribbles and Crumbs)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Aprecie a Estação



O final de ano pode ser uma época muito difícil para quem está de luto. 


É complicado encontrar a 'medida' certa entre a alegria que sentimos ao estar junto de quem amamos e a saudade daqueles que partiram. Digo isso porque é exatamente assim que me sinto e aqui contei um pouquinho sobre isso... 

Sei que não estou sozinha e que muitos se sentem assim... então, vou deixar aqui a tradução que fiz de um artigo escrito por Henderson Lafond para a Still Standing Magazine, falando sobre Natal e as festas de fim de ano. 

Espero que o texto te ajude.

Se você tem alguém que está sofrendo com o luto nesta época, exercite a empatia. Não cobre a ‘felicidade’ desta pessoa num momento tão delicado. Respeite seus sentimentos e esteja sempre por perto.

Se for você quem está sofrendo com o luto, deixo o mesmo conselho. Respeite seus sentimentos e não cobre de si mesmo o impossível. Ria quando sentir vontade. Chore quando sentir que seu coração irá explodir. Cuide de si mesmo e não se importe com aparências.

A dor não vai durar para sempre e faz parte do processo de cura o respeito aos seus sentimentos. Fingir que o sofrimento não existe pode ser pior.

Certifique-se de que você tem o apoio necessário, família e amigos que realmente compreendam o que está passando são essenciais. E se você é um membro da família ou um amigo, não se preocupe com o que dizer – apenas esteja  presente.


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Aprecie a Estação

16 de novembro de 2016, por Henderson Lafond

Tradução/Translation: Roberta Modulo 
(Mamãe orgulhosa de um anjo chamado Noah / Proud mother to an angel called Noah)
Contato: contato@robertamodulo.com.br


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E num piscar de olhos, nós estamos indo em direção a ‘mais maravilhosa época do ano’. Quando você já passou pela perda de um filho, os dias comuns não são mais os mesmos, muito menos as festas de fim de ano. A maior diferença está na pressão.

De repente, espera-se que vejamos família e amigos. Temos que vestir nosso sorriso, roupas bonitas e estar cheios de alegria natalina. Devemos espalhar amor e luz e doar um pouco de nós mesmos.

É a época do ano que estamos em contato com pessoas que normalmente não falamos ou não encontramos com frequência. Pessoas que talvez não saibam ou não vemos ‘desde então’. Temos que contar a história novamente, lidar com olhares de pena e responder às tentativas desorientadas de nos consolar e demonstrar empatia.

Ano passado foi meu primeiro período de festas após a perda de Madison e dizer que foi ‘difícil’ não começa nem a descrever como foi. O nascimento dela estava previsto para o período de Ação de Graças e como sou extremamente organizada, já havia planejado muitas coisas. Ela teria pijamas combinando, um enfeite com o nome dela e sua data de nascimento. Eu tinha um álbum no Pinterest dedicado a ideias para nosso cartão de natal.

E de repente tudo era diferente. Minha época do ano favorita tornou-se um pântano lamacento o qual tive que me arrastar rezando para que Janeiro chegasse logo.

Toda canção natalina me fazia chorar. Todas as luzes e decorações que eu geralmente mal podia esperar para ver, fizeram com que eu sentisse nada.  Eu não podia acreditar que alguém faria uma festa de natal, muito menos que nos convidaria para ir. O que exatamente estávamos comemorando? Eu estava cheia de ressentimento, pois minha filha não estava aqui e não conseguia enxergar além desse sentimento. 

Porque tínhamos um filho de três anos para nos preocupar, nós cumprimos com a formalidade. Compramos uma árvore, embrulhamos presentes, escondemos o duende (quase) todas as noites para que nosso filho o encontrasse na manhã seguinte. Acho que se dependesse da gente, meu marido e eu teríamos fugido para uma ilha ou teríamos ficado encolhidos dentro de casa até que as festas tivessem terminado. 

Todos nós chegamos ao período natalino em diferentes fases e estágios desta montanha russa da vida após a perda. Este ano será diferente do ano passado para mim e minha família, pois este é nosso segundo ano sem Madison. Não sei o que esperar, pois ainda não passei por isso e tudo bem. 

Seja este o seu primeiro ou o trigésimo primeiro, aprecie esta estação e seu luto independente de onde ele te levar. 

Esteja aberto aos seus sentimentos. 

Cuide de você mesmo. 

Faça o que te deixe confortável, nem mais, nem menos. 

Agarre-se à dor e à alegria da maneira que aparecem. 

Aprecie esta época independente do que ela te traga.




*Sobre Henderson Lafond

Henderson Lafond é esposa, sonhadora e mãe de três filhos de Mint Hill, Carolina do Norte. Seu segundo filho, uma menina chamada Madison Reid, nasceu sem vida em 17 de outubro de 2015. Através de seu luto, Henderson descobriu uma paixão em ajudar suas irmãs na perda e fundou Madison’s Closet (O armário de Madison) em 2 de abril de 2016. Sua missão é confortar e vestir mães que sofreram com a morte perinatal ao fornecer roupas doadas para ajudá-las a recuperar sua autoconfiança. Quando você tem algo bonito para usar, você se sente melhor. 

As mulheres que doam para Madison’s Closet fazem isso pensando nas mulheres que irão ajudar. Elas querem ajudar numa situação em que ficamos impotentes. Por favor, visite Madison’s Closet para saber mais sobre sua missão e também receber ou doar roupas. Henderson pode ser encontrada no Facebook, Twitter, Instagram ou The Huffington Post.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Mais um Natal


Nossa última selfie juntos

Natal e Ano Novo se aproximam. Uma época mágica, recheada de amor, gratidão pelo ano que passou e planos para o ano que inicia.

Dezembro também é o mês em que o vazio que existe em meu coração se intensifica, mas nem sempre foi assim.

Eu costumava amar este período do ano – comprar presentes, decorar a casa, montar a árvore (temos enfeites que nos acompanham desde o nosso primeiro Natal morando juntos... e lá se vão 14 deles!) ir para a cozinha fazer mil pratos diferentes, colocar um vestido fofo para comemorar, mesmo que estivéssemos apenas o Rika e eu em casa.

Pelo terceiro Natal consecutivo eu não sei o que é isso... para falar a verdade, nem sei por onde anda nossa árvore de Natal... é certo que está guardada em algum canto, pois mantenho a esperança de montá-la novamente um dia - este ano ainda não...

Noah partiu no dia 19 de dezembro, pertinho do Natal e para falar a verdade, o primeiro natal após a morte dele eu não senti muita coisa. Eu estava desnorteada, os antidepressivos não me deixavam sentir nada. Absolutamente nada.

Naquela época eu alugava a casa de uma amiga (quase irmã), um lugar incrível com espaço, muito verde, piscina e uma vista de tirar o fôlego. Mas dentro de mim, havia um vazio.

2014 foi um ano difícil e dezembro intensificou a dor, pois ‘celebrar’ um ano em que perdemos tanto parecia inútil. Pela primeira vez teríamos um Natal sem meu filho e minha sogrinha...

Lembro que não tinha vontade de fazer absolutamente nada e foi então que meu pai apareceu para ficar com a gente. Ele também não queria festa, mas assim como nós, ele queria ficar pertinho. Não teve ceia, não teve árvore, mas teve amor. Muito amor.

Na virada de ano, papai veio novamente e no dia seguinte, meu sogro também estava conosco. Emocionados, assistimos a queima de fogos, nos abraçamos à meia noite e no primeiro dia do ano aproveitamos o calor para fazer um churrasco vegano delicioso... ficamos juntos e ganhamos um presente lindo – a presença dos vovôs do Noah - os mais amados do mundo!

* Meu sogro Eduardo se refrescando na piscina,
* Papai imóvel para garantir o soninho do Brutus,
* Minha 'pancinha' pós Noah, ❤
* Nosso churrasco vegano.

Ano passado, já não estava tomando remédios e pude sentir a força da ‘pancada’ que esta época do ano me daria - então tivemos reforços! Pela primeira vez, em MUITOS anos, tivemos um Natal e Ano Novo com a família ‘completa’. Também não houve árvore, mas teve cerveja, pizza pronta como ‘ceia’ e estávamos todos juntos – mamãe, papai, sogro, irmãos, sobrinhos...

Teve muita confusão, casa cheia, bagunça e gratidão. Gratidão pela oportunidade de ter a família por perto, incrível como a dor nos une ainda mais, garantindo o amparo nos momentos difíceis.

Família reunida! 

Este ano o Natal será vazio novamente... papai está pertinho do Noah agora -  ele não vai mais chegar de surpresa, acelerando a moto e fazendo escândalo com a sirene na porta de casa.

Nunca poderia imaginar que aquele seria nosso último Natal juntos e sou grata por ter tido a oportunidade de passar o último Natal, Ano Novo, Carnaval e aniversário unidos como uma família de verdade.

Este ano teremos mais um Natal incompleto, mas com a certeza de que não haverá cobranças e sim bastante apoio, amor e carinho de nossa família.

Tenho fé que esta dor insuportável vai passar e um dia teremos uma árvore de natal em casa novamente. Mas enquanto este dia não chega, respeitarei meus sentimentos e serei grata por tudo o que tenho: uma linda família, um marido incrível e amigos que insistem em permanecer ao meu lado.


Se você precisa de ajuda para encarar este Natal ou então para ajudar alguém de luto neste período de festas, dê uma olhada nesse link aqui.